"Precisamente porque o horizonte da Palavra divina abraça e se estende além da Escritura, para compreendê-la adequadamente é necessária a constante presença do Espírito Santo que 'orienta à toda verdade' (Jo 16, 13). É necessário colocar-se na corrente da grande Tradição que, sob a guia do Espírito Santo e a guia do Magistério, reconheceu os escritos canônicos como Palavra dirigida por Deus ao seu povo e nunca parou de meditá-las e de descobrir nela as riquezas inesgotáveis."
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Discurso do Papa Francisco ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé em 22/03/2013 - III
"Com efeito, não se podem construir pontes entre os homens, esquecendo Deus; e vice-versa: não se podem viver verdadeiras ligações com Deus, ignorando os outros. Por isso, é importante intensificar o diálogo entre as diversas religiões; penso, antes de tudo, ao diálogo com o Islão. Muito apreciei a presença, durante a Missa de início do meu ministério, de tantas autoridades civis e religiosas do mundo islâmico. E é também importante intensificar o diálogo com os não crentes, para que jamais prevaleçam as diferenças que separam e ferem, mas, embora na diversidade, triunfe o desejo de construir verdadeiros laços de amizade entre todos os povos."
Discurso do Papa Francisco ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé em 22/03/2013 - II
"Mas há ainda outra pobreza: é a pobreza espiritual dos nossos dias, que afeta gravemente também os países considerados mais ricos. É aquilo que o meu Predecessor, o amado e venerado Bento XVI, chama a «ditadura do relativismo», que deixa cada um como medida de si mesmo, colocando em perigo a convivência entre os homens. E assim chego à segunda razão do meu nome. Francisco de Assis diz-nos: trabalhai por edificar a paz. Mas, sem a verdade, não há verdadeira paz. Não pode haver verdadeira paz, se cada um é a medida de si mesmo, se cada um pode reivindicar sempre e só os direitos próprios, sem se importar ao mesmo tempo do bem dos outros, do bem de todos, a começar da natureza comum a todos os seres humanos nesta terra."
Discurso do Papa Francisco ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé em 22/03/2013 - I
"Ainda há tantos pobres no mundo! E tanto sofrimento passam estas pessoas! A exemplo de Francisco de Assis, a Igreja tem procurado, sempre e em todos os cantos da terra, cuidar e defender quem passa indigência e penso que podereis constatar, em muitos dos vossos países, a obra generosa dos cristãos que se empenham na ajuda aos doentes, aos órfãos, aos sem-abrigo e a quantos são marginalizados, e deste modo trabalham para construir sociedades mais humanas e mais justas."
Discurso do Papa Francisco aos Delegados Fraternos em 20/03/2013 - III
"Sabemos quanta violência produziu na história recente a tentativa de eliminar Deus o divino do horizonte da humanidade, e advertimos o valor de testemunhar nas nossas sociedades a originária abertura à transcendência que é inerente ao coração humano. Nesto, sentimos perto todos aqueles homens e mulheres que, ainda não reconhecendo-se pertencentes de alguma tradição religiosa, sentem-se porém em busca da verdade, da bondade e da beleza, esta verdade, bondade e beleza de Deus, e que são nossos valiosos aliados no compromisso da defesa da dignidade do homem, na construção de uma convivência pacífica entre os povos e ao guarda com cuidado a criação."
Discurso do Papa Francisco aos Delegados Fraternos em 20/03/2013 - II
"[...] nós podemos fazer muito pelo bem de quem é mais pobre, de quem é fraco e de quem sofre, para favorecer a justiça, para promover a reconciliação, para construir a paz. Mas, especialmente, devemos manter viva no mundo a sede do absoluto, não permitindo que prevaleça uma visão da pessoa humana com uma só dimensão, segundo a qual o homem se reduz ao que produz e ao que consome: esta é uma das armadilhas mais perigosas do nosso tempo."
Discurso do Papa Francisco aos Delegados Fraternos em 20/03/2013 - I
"Começo o meu ministério apostólico neste ano em que o meu venerado predecessor, Bento XVI, com intuição realmente inspirada, proclamou para a Igreja católica o Ano da fé. Com esta iniciativa, que espero continuar e espero que seja um estímulo para a caminhada de fé de todos, ele quis marcar o 50º aniversário do início do Concílio Vaticano II, propondo uma espécie de peregrinação ao que para cada cristão representa o essencial: a relação pessoal e transformante com Jesus Cristo, Filho de Deus, morto e ressuscitado para a nossa salvação. E é justo no desejo de anunciar este tesouro perenemente válido da fé aos homens do nosso tempo que reside o coração da mensagem conciliar."
Encontro do Papa Francisco com os Representantes dos Meios de Comunicação Social em 16/03/2013 - II
"Alguns não sabiam por que o Bispo de Roma se quis chamar Francisco. Alguns pensaram em Francisco Xavier, em Francisco de Sales, e também em Francisco de Assis. Deixai que vos conte como se passaram as coisas. Na eleição, tinha ao meu lado o Cardeal Cláudio Hummes, o arcebispo emérito de São Paulo e também prefeito emérito da Congregação para o Clero: um grande amigo, um grande amigo! Quando o caso começava a tornar-se um pouco «perigoso», ele animava-me. E quando os votos atingiram dois terços, surgiu o habitual aplauso, porque foi eleito o Papa. Ele abraçou-me, beijou-me e disse-me: «Não te esqueças dos pobres!» E aquela palavra gravou-se-me na cabeça: os pobres, os pobres. Logo depois, associando com os pobres, pensei em Francisco de Assis. Em seguida pensei nas guerras, enquanto continuava o escrutínio até contar todos os votos. E Francisco é o homem da paz. E assim surgiu o nome no meu coração: Francisco de Assis."
Encontro do Papa Francisco com os Representantes dos Meios de Comunicação Social em 16/03/2013 - I
"Quase sempre os acontecimentos da história reclamam uma leitura complexa, podendo eventualmente incluir também a dimensão da fé. Certamente os acontecimentos eclesiais não são mais complicados do que os da política ou da economia; mas possuem uma característica fundamental própria: seguem uma lógica que não obedece primariamente a categorias por assim dizer mundanas e, por isso mesmo, não é fácil interpretá-los e comunicá-los a um público amplo e variado. Realmente a Igreja, apesar de ser indubitavelmente uma instituição também humana e histórica, com tudo o que isso implica, não é de natureza política, mas essencialmente espiritual: é o Povo de Deus, o Povo santo de Deus, que caminha rumo ao encontro com Jesus Cristo. Somente colocando-se nesta perspectiva é que se pode justificar plenamente aquilo que a Igreja Católica realiza."
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